
Entenda o que é tokenização
Os Real World Assets (RWAs), ou ativos do mundo real, são tokens digitais baseados em blockchain que simbolizam ativos físicos e financeiros tradicionais. Esses ativos podem incluir dinheiro, commodities, imóveis, obras de arte e propriedade intelectual. A tokenização desses ativos possibilita novas formas de acesso, troca e gestão, revolucionando tanto os serviços financeiros quanto outras aplicações não financeiras.
O processo de tokenização
Tokenizar um ativo do mundo real é transformar os direitos de propriedade de um ativo em tokens digitais. Este processo é feito em cinco etapas:
- Seleção do Ativo: escolher o ativo a ser tokenizado.
- Especificações do Token: definir o tipo de token (fungível ou não fungível), o padrão do token (como ERC20 ou ERC721) e outras características importantes para o ativo criado.
- Seleção da Blockchain: decidir em qual rede blockchain pública ou privada os tokens serão emitidos. Utilizar protocolos de interoperabilidade, como o Chainlink Cross-Chain Interoperability Protocol (CCIP).
- Conexão Offchain: integrar dados offchain de qualidade, utilizando oráculos seguros e confiáveis, como o Chainlink Proof of Reserve (PoR), para verificar os ativos que respaldam os tokens, assegurando a transparência.
- Emissão: implementar os contratos inteligentes na rede escolhida, cunhar os tokens e disponibilizá-los para uso.
Benefícios dos Ativos Tokenizados
A tokenização de ativos oferece inúmeros benefícios. Em primeiro lugar, podemos citar a liquidez, que é facilitada de forma global, pois os RWAs transformam ativos tradicionalmente ilíquidos em ativos facilmente negociáveis na blockchain.
Além disso, a representação onchain dessa tecnologia garante a transparência e a auditabilidade da gestão dos ativos, reduzindo riscos sistêmicos. Os RWAs também ampliam a base de usuários potenciais de um projeto, permitindo acesso mais fácil a diferentes tipos de ativos através da propriedade fracionada.
No entanto, embora a tokenização traga muitas vantagens, também apresenta desafios. A custódia dos ativos físicos deve ser realizada de forma confiável, e a conexão com o mundo exterior precisa ser robusta. Também não podemos deixar de mencionar os riscos associados a bugs e vulnerabilidades em contratos inteligentes, que podem ocorrer caso o RWA não seja bem estruturado.
Aplicações de Real World Assets
De fato, as possibilidades de tokenização com ativos do mundo real são muitas. Stablecoins, por exemplo, já são bem utilizadas para pagamentos internacionais e como alternativa bancária em países com infraestrutura financeira precária. Projetos como o USDC da Circle e o USDT da Tether exemplificam essa tendência.
O mercado imobiliário também se beneficia da tokenização, permitindo o investimento fracionado em imóveis, residenciais ou comerciais. Commodities e metais preciosos também podem ser tokenizados, possibilitando novas formas de investimento e negociação.
Nessa lista, podemos incluir o mundo da arte e dos colecionáveis, que estão sendo impactados pela tokenização, garantindo a autenticidade e procedência de obras de arte e itens raros.
Até mesmo bens culturais como livros, músicas e filmes podem ser tokenizados, oferecendo novas formas de monetização para criadores e de consumo para o público. Por fim, vamos citar a propriedade intelectual que pode ser representada na blockchain, permitindo que artistas, escritores e inventores recebam pagamentos de forma mais transparente e sem intermediários.
Aplicações dos RWAs no DeFi
Até então, o DeFi serviu como uma espécie de prova de conceito de que as finanças onchain são tecnologicamente superiores para facilitar atividades econômicas. No entanto, a grande maioria dos ativos ainda permanece fora desse ecossistema, perdendo a oportunidade de se beneficiar das vantagens da tecnologia blockchain.
A tokenização de RWAs surge como a chave para desbloquear esse potencial inexplorado, permitindo que ativos tradicionais sejam utilizados em conjunto com a infraestrutura blockchain.
A entrada dos RWAs no DeFi possibilita a criação de um sistema financeiro com maior liquidez, transparência e menor risco sistêmico. Além disso, a blockchain elimina conflitos de interesse, criando um ambiente mais equitativo, onde poucos não podem tirar proveito do sistema em detrimento da maioria.
Um exemplo do uso de RWAs no DeFi é o MakerDAO, um dos maiores protocolos das finanças descentralizadas em TVL. A plataforma utiliza uma variedade de ativos do mundo real como garantia para a stablecoin DAI, demonstrando uma nova forma de criar ativos financeiros combinando ativos e tecnologias tradicionais com a blockchain.
Também podemos citar algumas das aplicações mais comuns de RWAs no DeFi, como a de empréstimos. Algumas plataformas permitem que imóveis, obras de arte, commodities e outros ativos tokenizados sejam usados como garantia para empréstimos. Os mutuários recebem stablecoins ou outros tokens, enquanto os credores ganham juros.
Além disso, o DeFi possibilita a exposição passiva a cestas de tokens RWA em um único investimento, diversificando o risco entre diferentes tokens e classes de ativos. E, claro, protocolos de fundos autônomos podem investir capital negociando tokens RWA, buscando gerar retornos.
Sem dúvida, a tokenização de ativos do mundo real é uma tendência que promete transformar o DeFi e o futuro das finanças como um todo. A convergência entre o mundo real e a blockchain abre um novo capítulo na história do setor, com potencial para democratizar o acesso a investimentos e criar um sistema financeiro mais justo e transparente.


